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quinta-feira, 13 de março de 2014

Do texto narrativo ao texto dramático (8º ano)

A turma de 8º ano, depois de ter lido o texto narrativo que se segue


passou-o do género narrativo para o género dramático operando as transformações necessárias a fim de respeitar as características do novo género que veio "vestir" a lenda timorense. Abaixo apresenta-se o resultado deste trabalho de mudança de género literário:


Os antepassados eram irmãos
Uma lenda timorense[1]

Personagens:                              
Maromak (deus)
Dois casais (2 homens + 2 mulheres),
Ximené e Ximaná, Teurá e Teureta
Três casais (3 homens + 3 mulheres)
Joaquim e Rosa, Manuel e Maria, José e Fátima
Irmãos mais velhos

ATO I

Cena 1
Maromak encontra-se à beira do mar de Timor e chama até si dois casais descendentes de Adão e Eva: Ximené e Ximaná, Teurá e Teureta.

Maromak (chamando em voz alta): Ximené e Ximaná! Teurá e Teureta! Venham cá, preciso de falar convosco.
Ximaná: O que nos queres?
Ximené: Chamaste-nos?
Teurá: Sim?!
Teureta (espantada): O que é que se passa?
Maromak (entregando instrumentos de madeira para cultivar os campos): Tomem! Toma, Ximaná! (deslocando-se para a direita) Toma, Ximené! Pega, Teurá! Segura, Teureta!
Ximené (virando-se para os outros três): Ah! Isto é para trabalhar os campos!
Ximaná (olhando para o horizonte com um ar pensativo): Temos que nos ocupar da nossa ilha!
Teurá (voltando-se para Maromak agradecido): Obrigado pelos instrumentos, Maromak! Vamos poder tratar melhor da ilha onde nascemos!
Teureta (exclamou com alegria): Vamos começar já. Venham trabalhar! (sai de cena com os três amigos, deixando Maromak só)

Cena 2
Chegam ao junto de Maromak três casais, Joaquim e Rosa, Manuel e Maria, José e Fátima. No chão, junto aos pés de Maromak vemos papel, lápis, sabão e lenços.

Maromak: Manuel, Joaquim e José, vocês tomem papel e lápis!
Manuel Joaquim e José (em uníssono): Obrigado, Maromak!
Maromak: Rosa, Maria e Fátima, ofereço-vos sabão e lenços.
Rosa, Maria e Fátima (estendendo os braços, respondem ao mesmo tempo): Obrigada, Maromak! (voltando-se para os maridos já com um ar saudoso) Antes de navegarmos para longe, vamos fazer uma grande festa na montanha!
José: Vamos convidar toda a família! Temos de festejar esta viagem com os nossos!
Maria: Vou já convidá-los!
Joaquim: Eu vou buscar o vinho para a festa e a Fátima pode ir buscar uns quatro galos!
Rosa: Eu ponho as mesas!
Manuel: Eu preparo os galos, vou depená-los já!

Cena 3
Final da festa, veem-se as mesas desarrumadas, alguma comida caída no chão. Os três casais aproximam-se de alguns irmãos mais velhos.

Joaquim (entregando o livro e a bandeira aos Irmãos mais velhos): Ó meus irmãos, recebam este livro e esta bandeira, símbolos do nosso povo. Guardem-nos preciosamente durante a nossa viagem.
Irmãos mais velhos (abraçando coletivamente Joaquim): ‘Tá bem! Fiquem descansados!




ATO II

Cena 1
Passaram-se muitos anos e isso vê-se no cenário e na quantidade de personagens em palco. Ouve-se muita gente a falar, veem-se sombras de pessoas projetadas no cenário. A mesma praia onde se encontram casas típicas de Timor. Os dois casais – Ximené e Ximaná, Teureta e Teurá – estão em cena, na praia, debaixo de uma palmeira, sentados em cima de troncos.

Teureta (apoiando-se numa espécie de bengala, um pau, com muitas rugas, cabelos brancos e uma voz rouca, usada pelo tempo): Lembras-te, meu amor, da nossa juventude…
Teurá (acariciando as costas de Teureta, falando com um tom nostálgico): Olha o resultado do nosso trabalho… Horas passadas a soar pela nossa ilha.

Surgem em palco cerca de catorze pessoas, quatro casais adultos rodeados de seis crianças. Vestidos com os trajes típicos de Timor. As crianças brincam por todo o lado, correm, comem. Os pais falam uns com os outros, bebendo leite de côco. Deslocam-se em palco como se estivessem alheados dos dois casais velhotes que encontraram Maromak no início da peça.

Ximaná (olhando em redor de si): Ainda bem que Maromak nos ajudou a cultivar, transformamos esta ilha...
Ximené (com um brilho nos olhos, observando as crianças a brincar): E formámos o povo timorense.

Cena 2
Surgem num barco à vela portugueses que vão acostar em Timor, na praia onde Ximené e Ximaná, Teureta e Teurá se encontram na conversa.

Ximené e Ximaná (apontando com o dedo o barco que acosta nesse momento): Olha quem ali vem!
Rosa e Joaquim (indo lentamente ao encontro do casal): Chegámos, irmãos! Estamos prontos para fundar convosco a cidade de Dili, esta ilha merece uma capital. Do outro lado estão os holandeses e por isso viemos ter convosco!
Teureta e Teurá (com uma voz determinada): Então podemos fundar Dili já aqui!
FIM


[1] Texto dramático baseado no texto homónimo retirado da obra de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, PORTUGAL – HISTÓRIAS E LENDAS, Caminho, 2001, p.123.

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