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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Os elevadores lisboetas na poesia: «O elevador de Santa Justa» vs «O elevador da Glória»

E que tal se confrontássemos dois elevadores lisboetas?
E que tal se confrontássemos «O elevador de Santa Justa» com «O elevador da Glória»?
E que tal se confrontássemos o poema de Vasco Graça Moura com o poema da música dos Rádio Macau?

O ELEVADOR DE SANTA JUSTA (um projeto do engenheiro Raoul Mesnier du Ponsard, nada a ver com Gustave Eiffel!!!)



podes caber à larga e não à justa no elevador de santa justa,
não te leva a parte nenhuma no sentido utilitário normal,
mas é a nossa torre Eiffel. faz a experiência. por sinal
é um caso em que não custa aprender à nossa custa:
variamente na vida e na ascese se flibusta,
e aprender à nossa custa é muito mais ascensional.

podes subir até ao miradouro se a altura não te assusta:
lisboa é cor-de-rosa e branco, o céu azul ferrete é tridimensional,
podes subir sozinho, há muito espaço experimental.
noutros elevadores há sempre alguém que barafusta,
mas não aqui: não fica muito longe a rua augusta,
e em lisboa é o único a subir na vertical.


O ELEVADOR DA GLÓRIA
 


Daquilo que está por baixo
Até ao que fica no alto
Vão dois carris de metal
Na calçada de basalto


Desde este lugar sem história
Até um lugar na história
Vão apenas dois minutos
No elevador da glória


No elevador da glória
No elevador da glória
No elevador da glória


Duma existência banal
Até às luzes da ribalta
Há dois carris de metal
Desde a baixa à vida alta


Desde o triste anonimato
Desde a ralé e a escória
Até á fama e ao estrelato
Há o elevador da glória

No elevador da glória
No elevador da glória
No elevador da glória

Radio Macau

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